Beatriz era a oitava filha de
D. Rui Gomes da Silva,
alcaide da
vila fronteiriça de Campo Maior, e de
D. Isabel de Menezes, Condessa de Portalegre, filha de
D. Pedro de Menezes,
conde de Vila Real; assim, por via materna, descendia não só dessa casa senhorial, como também das dos
condes de Ourém e
Barcelos, linhagens antiquíssimas que tinham no Rei
D. Sancho I de Portugal o seu remoto antepassado. Era, ainda, irmã do
frade franciscano
Beato Amadeu da Silva.
D. Pedro de Menezes teria dado a mão da sua filha Isabel ao cavaleiro Rui Gomes da Silva, após este participar com bravura na tomada de
Ceuta, tendo aí permanecido a cumprir o serviço militar. Há quem defenda, por isso, que a jovem Beatriz possa ter nascido naquela praça-forte
magrebina e não no
Alentejo como é dito por muitos.
Ao que parece, Beatriz da Silva seria uma jovem de grande beleza, conforme testemunha um relato da época: «além de vir de sangue real, era mui graciosa donzela e excedia a todas em formosura e gentileza».
Em
1447, contava a infanta D. Isabel dezanove anos, o seu tio
D. Pedro, Duque de Coimbra, regente do reino, promoveu os seus esponsais com
João II de Castela, que então se achava viúvo. Uma vez rainha, Isabel, ambiciosa, começou por afastar a influência do todo-poderoso condestável de Castela,
D. Álvaro de Luna, e não tardou a criar intrigas na corte, algumas das quais envolvendo a jovem Beatriz, cuja beleza não passara despercebida. Embora fosse ama e confidente da rainha, tal não impediu que Isabel se enciumasse daquela, maquinando contra a sua própria vida.
Assim, segundo reza a lenda, teria fechado Beatriz num estreito baú, onde eventualmente a falta de
oxigénio acabaria por ceifar lhe a vida. Durante três dias andou desaparecida, até que o seu tio,
D. João de Menezes, que também se achava na corte, estranhando a sua ausência, teria questionado a rainha sobre o paradeiro da sobrinha, tendo esta conduzido-o ao baú onde a encarcerara, certa de encontrar já um cadáver.
Para seu grande espanto, Beatriz tinha sobrevivido – segundo se diz, por haver invocado a
Virgem Maria, tendo esta aparecido-lhe e comunicado que a salvaria, se esta fundasse uma ordem religiosa que celebrasse o mistério da
Imaculada Conceição.
Beatriz acabou por perdoar à rainha, que se arrependera, e retirou-se da Corte, ingressando num mosteiro em
Toledo. Aí viveu monasticamente, sem contudo tomar as ordens sacras, preparando-se a ela mesma, e a um pequeno grupo de outras monjas, para ingressar na nova ordem que planeava fundar.
Beatriz faleceu em
Toledo três anos mais tarde. Cedo ganhou fama de santa, sendo cultuada pelo povo mesmo antes ainda de a
Santa Sé a santificar. De facto, a Igreja Católica só a elevou aos altares já no
século XX, quando o
Papa Pio XI, em
28 de Julho de
1926, lhe reconhece o título de
beata e aprova enfim o culto que já lhe era devido, desde há muito, pelos leigos. Por fim, em
3 de Outubro de
1976, o
Papa Paulo VI canonizou-a, declarando-a santa. É celebrada a sua
festa litúrgica no dia
17 de Agosto de cada ano,
[3] sendo particularmente reverenciada em
Campo Maior,
Portugal, e em
Espanha, onde instituiu a sua obra e faleceu; só aí se situam mais de 90 conventos da Ordem Concepcionista, que conta com cerca de 120 casas monásticas espalhadas pela
Europa e
América Latina.